• 12 set 19

    Você já se sentiu sem vontade de fazer nada, sem alegria, desanimado? Estes podem ser sinais de depressão. Em idosos esta é uma condição mais comum do que se imagina, entretanto, não deve ser banalizada. Pelo contrário! É preciso validar os sentimentos, acolher e oferecer suporte ao idoso que sofre de depressão.

    Para compreender quais os sinais que podem indicar um quadro depressivo, bem como caminhos para auxiliar este idoso, o MK Entrevista deste mês de setembro conversou com a psicóloga Valmari Cristina Aranha, que também é especialista em gerontologia, diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e docente do Centro Universitário São Camilo.
    Confira o resultado deste bate-papo.

    MK Entrevista: Quais sinais podem indicar um quadro de depressão no idoso?
    Valmari – A depressão é coisa séria e não pode ser ignorada. Entre as características que podem indicar algum desequilíbrio emocional, como a depressão, podemos citar desanimo, tristeza, falta de vontade de realizar atividades diárias e isolamento social.

    MK Entrevista: Como você avalia a visão que as pessoas tem sobre a depressão?
    Valmari – Ainda existe um certo preconceito quando falamos em depressão. É comum ainda se associar a depressão a uma espécie de sinal de fraqueza, como se esta condição fosse uma “doença de velho” ou “de gente fraca”. Só que essa questão não é privilégio do idoso. Pelo contrário, pode acometer qualquer um de nós, em qualquer idade.

    Na velhice, inclusive, é muito comum interpretar os sinais da depressão que citei anteriormente como se fossem algo natural da velhice, como se estar desmotivado fosse “da idade”, quando na verdade trata-se de uma depressão.

    É preciso ter em mente que ninguém adoecesse porque quer. A doença emocional é tão séria e incapacitante como uma doença física. Se não tratada, a depressão pode comprometer a saúde e qualidade de vida do idoso:

    Tristeza, medo, ansiedade podem sim ser sentimentos naturais. Agora, quando passam dos limites e interferem na qualidade de vida, estas emoções podem nos adoecer. Quando não validados estes sentimentos, o idoso pode passar a se sentir inadequado, como se ele estivesse errado.

    MK Entrevista: Como lidar com o idoso em depressão?
    Valmari – Em primeiro lugar, é preciso respeitar o sofrimento do idoso e entender as queixas dele e respeitá-lo.

    Com base na análise do idoso será possível determinar o melhor tratamento, que pode incluir desde mudanças em hábitos de vida, até introdução de fitoterápicos ou medicamentos, bem como acompanhamento psicoterápico.

    MK Entrevista – Como o acompanhamento psicoterápico pode contribuir com a saúde emocional do idoso?
    Valmari – A psicoterapia contribuirá com o processo de autoconhecimento e autocuidado do idoso. Consiste em não pressionar a pessoa, mas em possibilitar que ela tenha a oportunidade de se conhecer, de descobrir seus pontos fortes e suas fragilidades para então aprender a como lidar com elas. É como se possibilitássemos ao ser humano conhecer seu manual de instruções, e entender como ele funciona.

    O que observo em minha prática é que os idosos tem cada vez mais procurado a psicoterapia como um espaço de busca de si mesmos.

    MK Entrevista – Qual sua visão sobre a velhice?
    Valmari – Considero a velhice como um momento que pode ser de liberdade, porque terminaram com protocolos que vida vai nos demandando – tais como as cobranças para estudar, brincar, se relacionar, ter filhos,- e podemos finalmente escolher o que queremos. Temos uma geração de idosos hoje que tem envelhecido protagonista de suas histórias, que tem assumido as rédeas de suas vidas.

    A velhice é uma continuidade de tudo o que somos, uma soma daquilo que vivemos, como certa vez me disse um de meus pacientes. E isso pode, e deve, ser algo bom, que todos devemos almejar alcançar!

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