• 03 out 19

    Há alguns dias a espiritualidade passou a ser um dos itens incluídos nas Diretrizes de Prevenção da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), sendo recomendado aos médicos cardiologistas e demais profissionais da saúde que abordem este assunto durante as consultas. ⠀

    De fato, a espiritualidade é um dos ativos que podem contribuir com o envelhecimento saudável. O que significa esta “espiritualidade” da qual estamos falando? Trata-se de encontrar um significado para sua vida, ter esperança, fé – conforto e paz interior. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

    Estudos apontam que aqueles que possuem alguma crença conseguem equilibrar a conexão corpo, mente e espírito e ajudar a manejar o estresse, ser mais positivo, se sentir melhor em relação aos problemas e adversidades, como uma doença ou mesmo uma perda. É possível inclusive reduzir o medo da morte, uma questão que faz com que muitas pessoas evitem pensar sobre o seu envelhecimento, por ainda associarem essa etapa da vida á terminalidade, quando na verdade ainda pode haver inúmeras oportunidades de ser feliz e viver após os 60 anos de idade, desde que estejamos preparados para isso.  ⠀

    Em um dos artigos científicos sobre o papel da espiritualidade no contexto de saúde, é indicado que “o cuidado com os pacientes pode envolver passar um tempo com eles, segurando as mãos e falando sobre o que é importante para eles”. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

    Essa conduta, inclusive, é o que chamamos de “cuidado compassivo”, que deriva de compaixão, cujo significado é “sofrer com”. Significa os médicos estarem mais próximos de seus pacientes e de suas dores, sendo verdadeiramente parceiros e não apenas passando informações. Esse é um dos caminhos mais promissores que podemos seguir no processo de promoção de um envelhecimento com mais qualidade, saúde e autonomia, atuando inclusive em prol de um processo de terminalidade da vida digno e humano, respeitando e cuidando do paciente.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

    Acredito que quando nos sentamos em frente a um paciente geriátrico para uma consulta, temos de ter em mente que ali há um ser humano que carrega consigo um universo muito particular. Para compreender suas especificidades e necessidades não apenas físicas, mas também emocionais é preciso ouvir além dos sintomas aparentes. É essencial escutar seus anseios, suas dúvidas e acolhê-lo, respeitando suas crenças e valores. É como bem disse o psiquiatra Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

    Referências⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

    Puchalski CM. The role of spirituality in health care. Proc (Bayl Univ Med Cent). 2001;14(4):352–357. doi:10.1080/08998280.2001.11927788. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1305900/#B1>⠀⠀⠀⠀

    Shane Sinclair, Susan McClement, Shelley Raffin-Bouchal, Thomas F. Hack, Neil A. Hagen, Shelagh McConnell, Harvey Max Chochinov. Compassion in Health Care: An Empirical Model. Journal of Pain and Symptom Management. Volume 51, Issue 2, 2016. Disponível em <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0885392415005734>

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