• 01 mar 18

    Um novo estudo[1] publicado ontem (28/02) na revista científica “Palliative Care”, chama a atenção para a importância de identificar as necessidades dos cuidadores pós-alta hospitalar além dos aspectos operacionais – como manejo de equipamentos e outras questões práticas que envolvem o suporte que deverá ser dado ao paciente. É preciso levar em conta também as demandas emocionais e físicas que integram o processo de terminalidade da vida.

    Segundo os pesquisadores[2] das universidades de Manchester e Cambridge, quando os cuidadores – sejam eles profissionais ou familiares – estão mais bem preparados, aumentam as chances de a alta ser bem-sucedida, evitando readmissões hospitalares que nada poderão acrescentar ao paciente em paliação.

    Acredito que, do ponto de vista da paliação voltada aos idosos, esse olhar das equipes de saúde pode contribuir não apenas para o paciente, mas também para o cuidador, ainda mais se ele for um ente querido, o que pode tornar ainda mais desafiador esse processo de acompanhamento de um pai, uma mãe, um avó, enfim, alguém de quem se gosta.

    É uma atividade que requer não apenas conhecimento técnico, mas também é preciso dedicação, paciência e suporte emocional. Ainda mais quando se trata de alguém que não se tem muita afinidade. Nesses casos é comum haver inclusive episódios de negligências e maus tratos, piorando a condição do idoso. Pense nisso: “quem cuida do cuidador”?

    Convido vocês a lerem mais sobre cuidados paliativos aqui no site

    Confira cenário descrito pelo artigo[1] 

    (Fonte: trecho extraído do artigo[1], que teve seus resultados apresentados em 1º de março, na Conferência de Cuidados Paliativos da Universidade de Salford)

    * Pontos já conhecidos
    Os cuidadores familiares são essenciais para permitir que os pacientes permaneçam em casa no final da vida e desempenham um papel importante na realização da alta hospitalar.

    Os múltiplos impactos nos cuidadores de assumir esse papel e sua necessidade de suporte são bem reconhecidos na orientação da política de cuidados de fim de vida.

    Os pacientes em cuidados paliativos são frequentemente re-admitidos no hospital após a alta devido à fragilidade no apoio ao cuidador em casa.

    * O que este artigo acrescenta?
    Uma nova intervenção para alta hospitalar: expandir o foco da prática de alta para incluir a avaliação das necessidades de apoio dos cuidadores na transição para ajudar a prevenir a quebra de cuidados em casa e a readmissão do paciente ao hospital.

    Identificação da falta de consciência dos cuidadores sobre as realidades da assistência de 24 horas e da situação de fim de vida dos pacientes como uma barreira importante para os profissionais que desejam apoiar os cuidadores durante a alta.

    O potencial uso de um mecanismo chamado “Ferramenta de Avaliação de Necessidades de Apoio ao Cuidador (CSNAT)” para facilitar as conversas sobre as realidades da prestação de cuidados em casa no final do período de vida, provocando preocupações com os cuidadores e possibilitando o suporte.
    Implicações para prática, teoria ou política

    Habilitar a alta bem-sucedida de pacientes com cuidados paliativos em casa e a prevenção de readmissões é uma questão fundamental para os serviços de saúde.

    Até o momento, o foco das intervenções para alcançar esse resultado foi em pacientes, mas sabemos que os cuidadores são cruciais para permitir que os pacientes com cuidados paliativos permaneçam em casa.

    Este estudo identifica questões-chave a serem consideradas ao transformar as “aspirações” de políticas atuais para os cuidados centrados na pessoa para os cuidadores em realidades de prática dentro do contexto hospitalar.

    Referências
    [1] Gail Ewing, Lynn Austin, Debra Jones, Gunn Grande. Who cares for the carers at hospital discharge at the end of life? A qualitative study of current practice in discharge planning and the potential value of using The Carer Support Needs Assessment Tool (CSNAT) Approach. Palliative Medicine. First Published February 28, 2018. Disponível em https://doi.org/10.1177/0269216318756259 Acessado em 1 de março de 2018.

    [2] Sage Publishing. Research highlights the need to support family carers when discharging dying patients. Release/EurekAlert. Disponível em https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-03/s-rht030118.php Acessado em 1 de março de 2018.

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